Fictício | Escrito na Madrugada

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18jan 2015

Como poderia ter dado certo de primeira

Postado por às em Fictício, Textos

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Conto praia verão

A areia dourada da praia brilhava nos olhos dela como barras de ouro, o sol estava no talo e o suor só não escorria pois era substituído por água salgada. Ela gostava de ir até certo ponto na água, onde ainda alcançava os pés na areia; Ficar além disso era perigoso e adrenalina de  saber que a possibilidade de haver caravelas era grande, já bastava. Gostava de deixar os pés levitar na linha do horizonte que a água formava, jogava  seu corpo e por último a cabeça para trás deixando seu cabelo comprido pegar um pouco da água salinizada. Mas sempre ficava de olho para não boiar até muito longe da praia. Avistava de lá, um guarda-sol tamanho família com listras azuis e vermelhas. Sentia os raios solares atingirem sua pele fortemente, percebendo assim que o meio-dia se aproximava. Voltou à sua cadeira debaixo do guarda-sol com sua mãe, pai e irmã. Recostou-se com seus fones de ouvido plugados, uma música doce com batidas fortes e o livro de aventura. Não gostava muito de ir à praia mas fazia um agrado à sua família. Também não gostava muito de mostrar seu corpo apenas de biquíni e era muito branca pra sair pegando sol do meio dia, então permaneceu quieta e tranquila debaixo do guarda-sol, aproveitando a brisa e a leitura.

De repente algo a atingiu nas costas, fazendo-a se levantar no pulo em direção de onde a bola fortemente havia vindo. Ao tirar os óculos escuros avistou um rapaz moreno com – aparentemente – a mesma idade que a sua, lá pelos 17/18 anos. Vinha em sua direção com cara de quem sabia que ia levar uma bronca, provavelmente seu rosto demonstrava que ela estava prestes a lhe metralhar um sermão. Mas ela mal conseguiu balbuciar algo ao vê-lo aproximar-se. Só conseguia olhar nos olhos dele: Amendoados como os melhores chocolates, as melhores avelãs. Que mulher não gosta de chocolate? O tom da sua pele não fugia muito do padrão dos olhos. O cabelo castanho escuro bem curtinho, quase careca, barba por fazer e de cara ela percebeu que podia ser daqueles engraçados.

– Desculpa, desculpa, desculpa!!

– Ahn… Ah, tudo bem. Não foi nada. – Tentou chutar a bola para mais perto dele porém… Não conseguiu, seus pés passaram perto da bola mas nem causaram um ventinho perto. Ficou encanada com o mico que podia ter pagado mas ou ele não viu o que aconteceu, ou fingiu que nada aconteceu. Melhor ainda! Sem saber o que dizer e como reagir, deu um leve sorriso e voltou a se sentar na cadeira de praia. Tentou voltar a leitura mas tudo o que conseguia era relembrar aqueles olhos amendoados. Era estranho pensar em devorá-los? E aqueles lábios carnudinhos, o nariz perfeito e as bochechas salientes? Fora a barba que já lhe dava um ar de maturidade. A cor da pele… Olhou para a própria e chegou à conclusão de que talvez nunca teria uma pele com um tom bonito e moreno como aquele. Moreno…

Logo algo novamente a interrompeu e dessa vez foi na cara mesmo.

– Oi! A gente queria saber se você quer jogar vôlei com a gente?! Não têm muitos jovens na praia hoje, como pode ver, e o time está desfalcado… – Era um rapaz da mesma idade, mas não era o Moreno. Bom, ele era mais moreno que o moreno. Mais barbudo que o moreno. Talvez tinha olhos verdes também, porém ela não conseguiu reparar muito nisso já que o amigo não saía da sua cabeça. Olhou ao redor, procurando outras jovens… Como poderia uma praia sem jovens? Difícil acreditar que numa cidade onde a sua universidade estava instalada, teria poucos adolescentes  aproveitando a praia num dia lindo de sol como aquele. Era a primeira vez que vinha àquela praia e a escolheram justamente por não ser muito movimentada, queriam paz. Ela topou. Acabou jogando no time contra ao do Moreno. Podia vê-lo através da rede. Não jogavam com muitas regras, preferiam a diversão. Assim que cansaram, ela foi sentar numa pedra que ficava entre os restaurantes e a praia em si. O Moreno sentou do lado dela. Percebeu que suava, porém não cheirava mal. Cheirava até que bem! Sentia o corpo dele exalando calor. E ali conversaram. E muito. Os outros até voltaram a jogar mais uma partida, mas o casal permaneceu conversando ali.

Perguntou-se milhões e milhões de vezes se deveria perguntar seu nome, de onde era, o que fazia. Mas não queria se apegar. Afinal, suas aulas começavam em duas semanas na faculdade. E esse período, lhe disseram, seria o melhor de sua vida. Cheia de pessoas – e gatinhos – novas, experiências, festas, aprendizado, amadurecimento, etc etc. Seu último relacionado tinha sido tumultuado e nada tranqüilo, nada como ela queria para si, traumatizando-a. Queria alguém com quem pudesse contar, rir – principalmente! – , ser parceira, viajar, dividir sonhos e confiar. Então a tarde toda tinha sido sobre assuntos aleatórios. E ela adorou tudo isso. Ele parecia bem interessado nela, nas coisas dela, pedia o telefone e ela se fez de difícil até não conseguir mais resistir àquele sorriso brilhante, que enchia o peito dela de felicidade. E o que saia da boca dele só a fazia sorrir e rir, deixando-a com dores nas bochechas e na barriga também. Seria isso felicidade? Talvez ela tenha esquecido como era, ou nem vivido ainda.

Teria certeza que para esquecê-lo levaria mais do que duas semanas. Começaria a faculdade pensando em um cara… Poxa. Aquele sorriso que fazia o sol se esconder de vergonha, o riso, as piadas… O humor em si. Os olhos… Ah, como ela se derretia para aqueles olhos! Amendoados. Sua fome por eles aumentava gradualmente e intensamente.  E como queria tocar o cabelinho raspado! Além de engraçado, simpático e lindo, ele era interessante e nem um pouco chato. Podia ficar horas e horas conversando com ele.

Perto de escurecer, seus pais a chamaram para ir embora. Pode ver a cara de decepção misturado com tristeza e parecia que a saudade já tinha passagem comprada no rosto do Moreno. Tentou ser forte e não pedir mais nada, apenas dizer adeus. Telefone ou outro tipo de contato teria que ser evitado se ela quisesse realmente aproveitar o período de universitária. A despedida em si foi estranha… Ele ia tentar um beijo no rosto, ela foi no abraço, depois mudou de ideia e tentou o beijo no rosto enquanto ele tentava o abraço. Estranho. O resultado da confusão foi um selinho repentino no canto da boca do Moreno. Ops. Sentia a pele ficar avermelhada e quente – Dava pra usar a desculpa do sol quente? O sorriso dele pareceu se estender ainda mais. E toda essa situação mexeu com ela como nunca antes. Seus pés e mãos ficaram frios, seu coração acelerou e se aqueceu, parecia querer correr e se esconder assim como ela. Sua barriga era uma verdadeira montanha russa e todas essas sensações transpareceram da garganta para fora quando sua voz trêmula disse “Adeus!”

– Até logo, Branca. – Disse ele.

E o furacão de sensações voltou. Ao andar até o carro mil pensamentos rondaram sua cabeça. Meu Deus! Devia ter pedido o número dele caso ele não retornasse? O que realmente sabia dele? Que faculdade mesmo ele disse que iria cursar? Estava ocupada demais mergulhando na piscina de amêndoas, ou se bronzeando com a luz do sorriso do rapaz.

Duas semanas se passaram com muitos sentimentos trancafiados à sete chaves. Ele a havia procurado. Bastante. Ela fingia para si que não trocava mensagens com eles, mas os dedos teclavam freneticamente o celular, a barriga estremecia quando na tela do celular um contato chamado “Moreno” tinha correspondido. Fingia para si mesma que ia dormir as 22horas certinho, para começar a se acostumar com o horário de aula. Mas na verdade os lábios faziam manobras que iam de palavras à sorrisos ao telefone até quase 4/5 horas da madrugada. Fingia para si mesma que as olheiras logo de manhã a chateavam mas era impossível não checar o celular logo cedo na expectativa de novas mensagens. Expectativas correspondidas.

Na véspera de um dos dias mais importantes da sua vida, a noite foi difícil mesmo tendo passado horas conversando no telefone com o… Amigo. O coração batia forte e o estômago reclamava de ansiedade. Imaginava que não era a única que sentia isso, já que as aulas de todo o estado começavam amanhã, inclusive de Moreno. Será que ele vai conhecer uma menina bacana na faculdade? E se esquecer dela, abandoná-la, deixá-la. Ou será que ela seria capaz de fazer isso com ele? Como poderia ser esse relacionamento à distância se ela nem ao menos tinha sequer acreditado que relacionamentos assim podem durar? Além de tudo, amanhã teria que viajar sozinha para a cidade onde estudaria, conheceria pessoas novas, professores, um campus inteiro novo, matérias que nunca pensara em estudar, outras que sempre sonhara, e voltaria para sua cidade natal no mesmo dia. Esperaria contar com Moreno pelo menos por mensagens, mas provavelmente o mesmo ficaria tão ocupado com as mesmas preocupações. Na vida dele. Na vida dela.

No primeiro dia de aula, tentava achar sua sala pelo campus. Havia passado uma longa viagem – tranqüila – para chegar até ali, a faculdade na cidade praiana. Suas mãos já começavam a suar e o estômago novamente à reclamar de ansiedade.

“Estou na minha faculdade. Não consigo achar minha sala” – Teclara.

“Também estou na minha. Ah, achei coisa melhor.” – Moreno respondera. O coração da menina já palpitou erroneamente, e se ele tivesse visto uma menina bonita, perfeita e que ainda estuda na mesma cidade que a dele? E se a abandonasse agora? Não estava preparada.

“O que?”

“Você.”

De repente sentiu uma mão delicada ao mesmo tempo forte, determinada,  em seu ombro. Ah, aqueles olhos de amêndoa e o sorriso que faz o sol se esconder de vergonha…

17set 2014

Fez falta, Seu Juíz?

Postado por às

E é, realmente não faz falta. Se fizesse teria puxado assunto há muito mais tempo, viveria stalkeando mesmo que seja como algo amigável. Não faz falta por que já considero algo que nunca tive, então não faz realmente falta. Faria falta se houvesse um vazio dentro do peito, ou noites frias sem ninguém com que conversar. Mas a realidade felizmente é outra: Tenho ótimas pessoas para conversar, pessoas que nunca fizeram mal algum, que me perguntam quase todo dia como eu estou. Tudo o que eu preciso já tenho comigo.

No dia a dia, o “oi” foi se tornando mais incomum até que se tornou zero. É assim que finaliza várias amizades, não é? Mas aquelas que fazem falta não são deixadas ao esquecimento desse jeito.

Se um dia fez falta e eu fui além do meu limite é por que o ser humano tem um pouco de masoquismo, aquela dor da picada, aquela dorzinha do furo no umbigo, aquela dorzinha de coração-quebrado-quase-sarado-que-volta-a-ver-fotos-antigas. Se um dia “fez falta” foi para testar meus limites já ultrapassados, e eu só tinha a confirmação: Tudo realmente em você ficou chato, nojento e… Todas as tentativas do ~divertido~ me deixaram sem risada online e muito menos off-line. Então creia, eu te usei a certo ponto. Desculpa mas é a verdade. Pode ser um gole de insegurança minha mas, eu tive que nos testar. Até hoje é incerto, não consigo ver, o que ficou de mim em você – se é que ficou algo mesmo como você diz. E também não me importo muito.

Algo que é sem graça, chato e até repugnante, faz falta? 
Não me faz falta lhe responder essa pergunta também.

UP!