Sentimentos | Escrito na Madrugada

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19abr 2016

Cicatrização

Postado por às em Pessoal, Textos

Você cortou meu coração fundo e me deixou sangrar sozinha. Quando meus pulmões se enchiam você se liquidificava com outros, se divertindo. Enquanto eu estagnada, agonizava por ter que assistir tudo em câmera lenta. Quieta. Pois se tentava ofegar de dor, você escondia tudo debaixo do tapete.

Eu sangrei.

E sangrei.

E sangrei…

Tive que me curar sozinha. Me costurar para me recompor. No processo, a dor chegava a feder, poucas pessoas queriam realmente ficar ao meu lado com medo de serem infectados. Cada dia era uma agulha perfurando. Não foi nada limpo. O jogo todo. A cicatrização não foi nada fácil. Você estava tão longe. Não percebia e não sentia nada do que eu passava. A faca passou longe do seu coração, partiu mais da região do estômago. Fácil de se recompor, não é mesmo? O mundo girava ao meu redor de forma descontrolada e enjoativa. Quase que me perco por completa na cirurgia, quase que paro minha vida por descuido, quase perco o controle.

“Não é verdade”. “Só você enxerga assim”.

Querendo me levar do hospital ao hospício.

Roçando o machucado que não teve nem chance de começar a se curar. Não, não foi só eu que enxerguei desse jeito. E todos enxergavam a situação chata que se passava na minha frente. Direto dos meus olhos. Meus ardidos olhos. Meu estômago sensível. Minha enorme vontade de voltar pra casa.

Aqueles meses pós-operatório que você seguiu comigo, era apenas fingimento? Era pra tirar um peso da sua consciência? Pra saber que eu ainda estaria na sua?

Talvez não tenha sido uma boa ideia. Afinal, esse tipo de remédio não serve pra nada. Me deixou mais fraca ainda, sabendo que poderia ter uma vida que já não me pertencia mais e não era culpa de ninguém. Muito menos minha.

Que me dediquei.

Até sangrar.

E eu com medo de ser julgada por querer algo melhor, logo.

 

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21out 2014

Criatividade ou Maturidade?

Postado por às em Pessoal
Algumas pessoas quando não sabem o que fazer ou como lidar com uma situação… Se fecham. Sinceramente não sei se faço parte desse grupo, só sei que se algo de ruim acontecer eu preciso de gente por perto. Pelo menos quando “algo de ruim” (Não tão ruim assim, draminhas da vida) aconteciam ou acontecem, a primeira coisa que faço é procurar pessoas. Assim, mesmo não estando mais tão próximas de mim no dia-a-dia, ou estando sim. Sabendo se posso contar ou não, se vai me dar um concelho bom ou não, eu conto. Não vejo problemas em me abrir, sempre fui assim – eu acho. Embora realmente nos últimos anos eu esteja um pouco mais fechada do que costumava ser. Talvez seja a faculdade, essa “maturidade” batendo na porta – às vezes bem forte, cara! -, ou até o cansaço. E tipo, às vezes se preocupar com o “ouvinte” – aka amigo(a) – e ouvir o que ele tem pra contar da vida dele também é bom, é ótimo. Inspira, te põe no lugar que talvez a sua vida não é tão ruim assim – ou que você pode seguir tal exemplo e melhorá-la.

Aprendi também – é, simplesmente com a maturidade querendo entrar – que nem toda felicidade se espalha aos 7 cantos, que algumas coisinhas é bom ficar pra si; a mesma coisa vale para reclamações. Nossa língua é muito afiada, e nossos segredos com os outros não são mais tão secretos. 

Isso tem seu ponto negativo também, para falar a verdade. Antigamente conseguia muito melhor colocar em palavras o que eu estava sentindo, parecia tão fácil. Tipo beber água, só que ao inverso… O computador engolia simplesmente as teclas que eu digitava e se deliciava tão facilmente. Aqui mesmo no blogger, tenho um blog criado há muito tempo, não exposto assim. Aqui diz que tinha 82 postagens – e pelo que saiba era tudo texto pessoal. 82, da onde eu tirei tudo isso? Haha Claro que as coisas eram mais intensas e hoje aprendi a lidar bem mais com algumas questões – graças a Deus! Hoje em dia é tão difícil colocar as coisas que sinto numa estante separada por cores. É parte do amadurecimento ou estou ficando sem criatividade? Por favor, responda. 

Esse texto não era pra falar do que acabou falando, acho que isso se deve ao fato de que o outro “tema” que queria conversar e expor não está se colocando em linhas certas de caderno na minha cabeça, está meio confuso e não sei como colocar tais sentimentos em letras e vírgulas, muito menos em um ponto final. Mas possivelmente trabalharei com isso internamente e logo virá aqui. Por que é bom desabafar mesmo que ninguém (ou muita gente) leia.
Será que boa parte da maturidade já conseguiu abrir a porta e começar a entrar?
O quanto isso é bom, o quanto isso é ruim?
Por favor, responda.

UP!