Texto | Escrito na Madrugada - Part 2

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21jul 2015

O mar da alegria quase me afogou

Postado por às em Convidados, Pessoal, Textos

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Coração fremindo, pensamento tumultuado, totalmente perdida… Estado ao qual me encontro.

Há coisas que parecem perfeitas, e podem até ser aos nossos veres, que flui sem dificuldades, feito correnteza de riacho, mas por algum motivo, algo tem que dar errado, mesmo que seja a paranóia de que pode não dar certo… Mas como assim ?

Isso mesmo, o medo de que não der certo (o que é perfeito), faz com que desande!

Já fez isso consigo mesmo ? Então bate aqui e vá se tratar se ainda faz.

Como pode alguém detonar a própria felicidade por medo do futuro ? Sendo ele totalmente (ou quase) incerto! Pois é, o medo do futuro, medo de que não dê certo, me fez quase perder alguém que, bom… Esta (e continuará) sendo o meu -porto seguro- meu leme, minha âncora e minhas velas.

O medo de me entregar de cabeça, alma e corpo, me fez perder algumas coisas na vida ( isso que tenho apenas 19 lindas orquídeas), porém, dessa vez não perderei a dádiva com a qual fui presenteada. Pois o melhor da vida é ser ágape, e melhor ainda é recebe-lo como forma de gratidão.

Contudo, não me arrependo das coisas que perdi no passado por medo, pois me ensinaram muito, e esse “muito” está sendo útil agora, com a pessoa que vê um futuro ao meu lado, e facilmente tirou a neblina dos meus olhos para que eu pudesse ver também. Até porque, ser feliz sozinho é possível, mas descobrir a felicidade a dois é mais gostoso.

09jul 2015

Surpreenda

Postado por às em Pessoal, Textos

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Eu aprendi uma coisa com relacionamentos (amorosos ou não) e eu tenho que perder a minha vergonha e passar essa mensagem adiante. Se não, do que adianta um blog? Inclusive o mesmo era pretendido a tais assuntos.

Pode parecer clichê, mas o amor é mesmo como uma flor. É lindo, mas não 100% do tempo; Deve ser regado, cuidado e cultivado para que dure muito e mantenha-se assim. E para isso, além de respeito, amizade, parceria, e o sentimento que ninguém consegue explicar mas definem como “amor”, é muito importante surpreender quem a gente ama!

E por surpresas, não estou dizendo: “Um baita diamante!” “Um carro novo!” “Ah, mulher só gosta de buquê de flores grandes. Dê mil rosas e ela vai amar!” “Homem só gosta de futebol, compra uma camisa oficial – ou qualquer coisa – do time dele, que ele vai amar!”.

Me refiro à surpresas pequenas, que fazem mais diferença do que você acha. Um abraço inesperado, um beijo roubado ou dado em um lugar inesperado, uma mensagem “Saudades!”, uma comida que a pessoa goste, uma ligação não marcada, um romance por link de música fofa, qualquer coisa simples mas que transmitem uma mensagem invisível: “Pensei em você.” Por que não? Não precisa ser algo caro. Quem sabe um bilhete com coisas que você gosta na pessoa mas nunca disse e nem sabe porquê. Quer simplificar ainda mais a mensagem? Que tal um “Eu te apoio.” “Eu estou contigo.” E para isso basta só um olhar. Cara, só um olhar! Quantos dinheiros você precisa para isso? E por que não fazer aquela ligação de domingo curtinha, ou o recado ‘formal’ no facebook, uma conversa cara-a-cara que comece com um sincero “Tudo bem com você?”, o qual se desenvolva para um conhecimento mais profundo do que a pessoa é. E o qual te deixe evoluir também. Divida sua música favorita, toque com ternura, abrace com força, sorria com sinceridade e pergunte com interesse. 

Quer melhorar ainda mais o dia das pessoas ao seu redor? Comece com “Bom dia!” 🙂 Te juro que não só a vida das pessoas pelas quais você sorrir e dizer isso vai melhorar, mas a sua vai se iluminar, as cores vão se abrir e as oportunidades também.

Torne as ideias caras em coisas simples, feitas por você. Como falei um pouquinho no post de dia dos namorados. A pessoa não vai pegar o presente e pensar: “Nossa, eu vi esse presente na vitrine esses dias, até que gostei”. Vai ser algo tipo: “Nossa! Muito emocionante e vou poder guardar comigo pro resto da vida e sempre, sempre lembrar!”. E não se esqueça, surpreenda não só nas datas comemorativas. Vale a pena dizer às pessoas o que você sente por elas, todo o tempo. E não apenas com palavras formuladas por alguém que decidiu inventar um alfabeto. Há uma coisa bem mais poderosa do que as palavras: Gestos. E o mais simples deles pode se tornar o mais inesquecível de todos. Não precisa ter valor $$, mas sim valor <3 <3 . Bem mais interessante e mais marcante do que qualquer diamante. Não perca tempo com nada na vida que não valha a pena, e surpreenda. As pessoas ao seu redor ou à si mesmo.

14maio 2015

Age como se me conhecesse

Postado por às em Pessoal, Textos

Madrugada

 

Você age como se sentisse falta.

É, de mim. De falar comigo. Mas nunca sequer comprovou isso, certo?

Pois é.

Não aparenta fazer muita questão, então não sei por que age como se me conhecesse, também.

Mal sabe que eu amo ler. Que meus melhores amigos têm sido os livros. E que tenho me tornado viciada em comprá-los, querê-los, etc.

Que eu não canto mais no chuveiro… E em lugar nenhum. Nem na frente do espelho.

Não sabe que eu to me encorajando a ler mais em inglês porque o sonho de ir morar no Canadá se intensificou milhões de vezes desde a última vez que conversamos. Na verdade nem sei se te contei sobre esse fato meu.

Não sabe se quer o que eu quero ser, onde quero chegar e provavelmente esqueceu de onde eu vim.

Não sabe quantas vidas já vivi ou quantas eu perdi. Mas é sua obrigação saber disso tudo? Não. Mas deveria saber do mínimo, se quiser fingir que me conhece, que ainda há uma conexão. Não há mais tanta impaciência, imaturidade, indisciplina, aqui. Há sonhos, quereres, poderes, e saberes! Mudou muito desde que você saiu, sabe? Mudou o tanto que deveria, para eu perceber que talvez nem antes mesmo de ir embora, você já não me conhecia mais. E sempre fingiu conhecer-me bem. Quem sabe até na primeira apresentação, você achou que me leu fácil fácil.

Você tava errado o tempo todo. E continua errando achando que me conhece.

Será que um dia essa fingimento poderá se tornar realidade e teremos que parar de fingir que você me conhece? Hm… Não. Não to afim de te deixar me conhecer nem um pouco de mim… de novo.

23fev 2015

We are strangers with some memories

Postado por às em Música, Pessoal, Textos

Tão estranho se deparar com alguém que não se têm mais a mesma impressão que tinha ha algum tempo. Principalmente quando a pessoa te conhecia muito muito bem, participava da sua rotina e era super próxima. Tão estranho receber uma resposta nova da pessoa ou ficar sem ela, depois de tanto tempo e de tanta coisas que passaram juntas. Dependendo do tempo e da distância que o relacionamento tomou, você mal se lembra desses momentos, só acaba lembrando ou porque se afastaram ou o sentimento principal do “relacionamento”. Como por exemplo: Pense em alguém distante. Um amigo de infância que nunca mais vira, ou um inimigo. Você lembra sobre o que conversavam exatamente? Lembra todas as características que a pessoa tinha? Mas você se lembra se era divertido, se o incomodava, ou episódios muito marcantes que às vezes chega a duvidar se realmente aconteceu ou se foi imaginação.

Engraçado como a gente consegue esquecer uma pessoa facilmente quando queremos mas muitas vezes nossos próprios cérebros nos pregam peças indignas. Poxa, você fica tanto tempo sem pensar naquela pessoa e do nada em algum momento bem inoportuno lá está ela no local onde não deveria estar. Engraçado também, como isso se aplica à várias coisas e pessoas. Acontecimentos tensos que se passaram, pessoas, lugares, coisas…

Oh, Céus! Todos aqueles segredos que você confidencializou! As partes mais profundas que mostrou. Os medos, os desejos, os anseios, os sonhos!

Como é simples pra pessoa esquecer quem você foi. E isso parece bem mais simples do que nós fazermos esse trabalho. Parece que pra outra pessoa foi como tomar água ou respirar ar. Já para você houve todo um processo de não conversar mais sobre, não passar nos lugares, se distrair. O que foi você para ela? Qualquer uma? E todas as vezes em que você teve que ceder ou as vezes em que planejou surpresas.

De repente em um dia normal você anda na rua pensando nos seus problemas, nos seus deveres e avisa um vulto conhecido. E de repente foi substituído. E de repente nem um oi você recebe, ou ao menos algum sinal de reconhecimento. Nada. E qual é o sentimento que sente, afinal? a) Indiferença, já que você também a esqueceu e até já arranjou outro alguém com quem dividir confidencialidades. b) Ciúmes, aquela pessoa já foi sua melhor amiga ou companheira, ou inimiga, ou qualquer coisa. c) Inveja, você já esqueceu e percebeu que a pessoa esqueceu com mais facilidade ainda, já arranjou até substituto!

E muitas vezes você manda – ou pensa em mandar –  uma mensagem. “Oi” “?” “Oi, tudo bem, quanto tempo né?!” Ou simplesmente um emoji nonsense. Você realmente ta esperando uma resposta ou simplesmente quer que a pessoa lembre de você também? “Só pra ver no que vai dar.”

Bom, não há jeito certo ou errado de se sentir. Tudo depende de como a coisa foi terminando ou foi terminada. Que lado escapou mais fácil? Às vezes nem se quer podemos saber. Como se recuperar disso? a) Ou você esquece de vez e aprende a lidar com os lapsos de memória que vão vir na sua cabeça uma vez por ano e depois com menos frequência b) Você se move e vá atrás da pessoa, pede pra recomeçarem seja lá o que tinham c) Segura o coração e fica se remoendo e sofrendo e sua vida vai parando por causa disso e você vai ficando cada vez mais infeliz por uma pessoa que provavelmente não está nem aí. Nada acontece por acaso. Quem sabe daqui um tempo com a reviravolta que a vida dá novamente não passam de estranhos para conhecidos? Afinal, não é assim que todos começam?

18jan 2015

Como poderia ter dado certo de primeira

Postado por às em Fictício, Textos

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Conto praia verão

A areia dourada da praia brilhava nos olhos dela como barras de ouro, o sol estava no talo e o suor só não escorria pois era substituído por água salgada. Ela gostava de ir até certo ponto na água, onde ainda alcançava os pés na areia; Ficar além disso era perigoso e adrenalina de  saber que a possibilidade de haver caravelas era grande, já bastava. Gostava de deixar os pés levitar na linha do horizonte que a água formava, jogava  seu corpo e por último a cabeça para trás deixando seu cabelo comprido pegar um pouco da água salinizada. Mas sempre ficava de olho para não boiar até muito longe da praia. Avistava de lá, um guarda-sol tamanho família com listras azuis e vermelhas. Sentia os raios solares atingirem sua pele fortemente, percebendo assim que o meio-dia se aproximava. Voltou à sua cadeira debaixo do guarda-sol com sua mãe, pai e irmã. Recostou-se com seus fones de ouvido plugados, uma música doce com batidas fortes e o livro de aventura. Não gostava muito de ir à praia mas fazia um agrado à sua família. Também não gostava muito de mostrar seu corpo apenas de biquíni e era muito branca pra sair pegando sol do meio dia, então permaneceu quieta e tranquila debaixo do guarda-sol, aproveitando a brisa e a leitura.

De repente algo a atingiu nas costas, fazendo-a se levantar no pulo em direção de onde a bola fortemente havia vindo. Ao tirar os óculos escuros avistou um rapaz moreno com – aparentemente – a mesma idade que a sua, lá pelos 17/18 anos. Vinha em sua direção com cara de quem sabia que ia levar uma bronca, provavelmente seu rosto demonstrava que ela estava prestes a lhe metralhar um sermão. Mas ela mal conseguiu balbuciar algo ao vê-lo aproximar-se. Só conseguia olhar nos olhos dele: Amendoados como os melhores chocolates, as melhores avelãs. Que mulher não gosta de chocolate? O tom da sua pele não fugia muito do padrão dos olhos. O cabelo castanho escuro bem curtinho, quase careca, barba por fazer e de cara ela percebeu que podia ser daqueles engraçados.

– Desculpa, desculpa, desculpa!!

– Ahn… Ah, tudo bem. Não foi nada. – Tentou chutar a bola para mais perto dele porém… Não conseguiu, seus pés passaram perto da bola mas nem causaram um ventinho perto. Ficou encanada com o mico que podia ter pagado mas ou ele não viu o que aconteceu, ou fingiu que nada aconteceu. Melhor ainda! Sem saber o que dizer e como reagir, deu um leve sorriso e voltou a se sentar na cadeira de praia. Tentou voltar a leitura mas tudo o que conseguia era relembrar aqueles olhos amendoados. Era estranho pensar em devorá-los? E aqueles lábios carnudinhos, o nariz perfeito e as bochechas salientes? Fora a barba que já lhe dava um ar de maturidade. A cor da pele… Olhou para a própria e chegou à conclusão de que talvez nunca teria uma pele com um tom bonito e moreno como aquele. Moreno…

Logo algo novamente a interrompeu e dessa vez foi na cara mesmo.

– Oi! A gente queria saber se você quer jogar vôlei com a gente?! Não têm muitos jovens na praia hoje, como pode ver, e o time está desfalcado… – Era um rapaz da mesma idade, mas não era o Moreno. Bom, ele era mais moreno que o moreno. Mais barbudo que o moreno. Talvez tinha olhos verdes também, porém ela não conseguiu reparar muito nisso já que o amigo não saía da sua cabeça. Olhou ao redor, procurando outras jovens… Como poderia uma praia sem jovens? Difícil acreditar que numa cidade onde a sua universidade estava instalada, teria poucos adolescentes  aproveitando a praia num dia lindo de sol como aquele. Era a primeira vez que vinha àquela praia e a escolheram justamente por não ser muito movimentada, queriam paz. Ela topou. Acabou jogando no time contra ao do Moreno. Podia vê-lo através da rede. Não jogavam com muitas regras, preferiam a diversão. Assim que cansaram, ela foi sentar numa pedra que ficava entre os restaurantes e a praia em si. O Moreno sentou do lado dela. Percebeu que suava, porém não cheirava mal. Cheirava até que bem! Sentia o corpo dele exalando calor. E ali conversaram. E muito. Os outros até voltaram a jogar mais uma partida, mas o casal permaneceu conversando ali.

Perguntou-se milhões e milhões de vezes se deveria perguntar seu nome, de onde era, o que fazia. Mas não queria se apegar. Afinal, suas aulas começavam em duas semanas na faculdade. E esse período, lhe disseram, seria o melhor de sua vida. Cheia de pessoas – e gatinhos – novas, experiências, festas, aprendizado, amadurecimento, etc etc. Seu último relacionado tinha sido tumultuado e nada tranqüilo, nada como ela queria para si, traumatizando-a. Queria alguém com quem pudesse contar, rir – principalmente! – , ser parceira, viajar, dividir sonhos e confiar. Então a tarde toda tinha sido sobre assuntos aleatórios. E ela adorou tudo isso. Ele parecia bem interessado nela, nas coisas dela, pedia o telefone e ela se fez de difícil até não conseguir mais resistir àquele sorriso brilhante, que enchia o peito dela de felicidade. E o que saia da boca dele só a fazia sorrir e rir, deixando-a com dores nas bochechas e na barriga também. Seria isso felicidade? Talvez ela tenha esquecido como era, ou nem vivido ainda.

Teria certeza que para esquecê-lo levaria mais do que duas semanas. Começaria a faculdade pensando em um cara… Poxa. Aquele sorriso que fazia o sol se esconder de vergonha, o riso, as piadas… O humor em si. Os olhos… Ah, como ela se derretia para aqueles olhos! Amendoados. Sua fome por eles aumentava gradualmente e intensamente.  E como queria tocar o cabelinho raspado! Além de engraçado, simpático e lindo, ele era interessante e nem um pouco chato. Podia ficar horas e horas conversando com ele.

Perto de escurecer, seus pais a chamaram para ir embora. Pode ver a cara de decepção misturado com tristeza e parecia que a saudade já tinha passagem comprada no rosto do Moreno. Tentou ser forte e não pedir mais nada, apenas dizer adeus. Telefone ou outro tipo de contato teria que ser evitado se ela quisesse realmente aproveitar o período de universitária. A despedida em si foi estranha… Ele ia tentar um beijo no rosto, ela foi no abraço, depois mudou de ideia e tentou o beijo no rosto enquanto ele tentava o abraço. Estranho. O resultado da confusão foi um selinho repentino no canto da boca do Moreno. Ops. Sentia a pele ficar avermelhada e quente – Dava pra usar a desculpa do sol quente? O sorriso dele pareceu se estender ainda mais. E toda essa situação mexeu com ela como nunca antes. Seus pés e mãos ficaram frios, seu coração acelerou e se aqueceu, parecia querer correr e se esconder assim como ela. Sua barriga era uma verdadeira montanha russa e todas essas sensações transpareceram da garganta para fora quando sua voz trêmula disse “Adeus!”

– Até logo, Branca. – Disse ele.

E o furacão de sensações voltou. Ao andar até o carro mil pensamentos rondaram sua cabeça. Meu Deus! Devia ter pedido o número dele caso ele não retornasse? O que realmente sabia dele? Que faculdade mesmo ele disse que iria cursar? Estava ocupada demais mergulhando na piscina de amêndoas, ou se bronzeando com a luz do sorriso do rapaz.

Duas semanas se passaram com muitos sentimentos trancafiados à sete chaves. Ele a havia procurado. Bastante. Ela fingia para si que não trocava mensagens com eles, mas os dedos teclavam freneticamente o celular, a barriga estremecia quando na tela do celular um contato chamado “Moreno” tinha correspondido. Fingia para si mesma que ia dormir as 22horas certinho, para começar a se acostumar com o horário de aula. Mas na verdade os lábios faziam manobras que iam de palavras à sorrisos ao telefone até quase 4/5 horas da madrugada. Fingia para si mesma que as olheiras logo de manhã a chateavam mas era impossível não checar o celular logo cedo na expectativa de novas mensagens. Expectativas correspondidas.

Na véspera de um dos dias mais importantes da sua vida, a noite foi difícil mesmo tendo passado horas conversando no telefone com o… Amigo. O coração batia forte e o estômago reclamava de ansiedade. Imaginava que não era a única que sentia isso, já que as aulas de todo o estado começavam amanhã, inclusive de Moreno. Será que ele vai conhecer uma menina bacana na faculdade? E se esquecer dela, abandoná-la, deixá-la. Ou será que ela seria capaz de fazer isso com ele? Como poderia ser esse relacionamento à distância se ela nem ao menos tinha sequer acreditado que relacionamentos assim podem durar? Além de tudo, amanhã teria que viajar sozinha para a cidade onde estudaria, conheceria pessoas novas, professores, um campus inteiro novo, matérias que nunca pensara em estudar, outras que sempre sonhara, e voltaria para sua cidade natal no mesmo dia. Esperaria contar com Moreno pelo menos por mensagens, mas provavelmente o mesmo ficaria tão ocupado com as mesmas preocupações. Na vida dele. Na vida dela.

No primeiro dia de aula, tentava achar sua sala pelo campus. Havia passado uma longa viagem – tranqüila – para chegar até ali, a faculdade na cidade praiana. Suas mãos já começavam a suar e o estômago novamente à reclamar de ansiedade.

“Estou na minha faculdade. Não consigo achar minha sala” – Teclara.

“Também estou na minha. Ah, achei coisa melhor.” – Moreno respondera. O coração da menina já palpitou erroneamente, e se ele tivesse visto uma menina bonita, perfeita e que ainda estuda na mesma cidade que a dele? E se a abandonasse agora? Não estava preparada.

“O que?”

“Você.”

De repente sentiu uma mão delicada ao mesmo tempo forte, determinada,  em seu ombro. Ah, aqueles olhos de amêndoa e o sorriso que faz o sol se esconder de vergonha…

UP!